De Maré em Maré, Tudo Muda

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Um poema que trata sobre mudanças, tradição e formas de viver a partir de uma transformação inevitável.

Todos os dias tudo muda: seja de lugar, de direção ou de forma. Toda e qualquer mudança é trazida pelo tempo, através da sua passagem ou apenas por sua ação indireta. O presente deixado pelo tempo passageiro é a lembrança de dias bons, de momentos felizes, quem sabe… De mudanças sensíveis, nem toda mudança é bem-vista, mas toda mudança é bem-vinda; sempre que mudar, será sentida. A tradição é um fenômeno que desafia o tempo: é a persistência transmitida, o agir costumeiro, repetido de formas como um dia foram vividos por quem sentiu o primeiro calafrio, assim aprendeu e, por fim, ensinou. Se tudo der certo, o que seu avô viveu jamais se apagará. Para outros serão passados, mas, assim como no primeiro dia, o legado foi herdado. Assim se fez, assim será, como no passado. O tempo não pode ser sentido, mas pode-se vê-lo todos os dias: quando a maré muda, a cada dia, a cada mês, a cada minuto que corre. A princípio imutável, mas, quando visto de perto, todos os dias o rio é transformado.

Janilso Júnior

Contexto e Intencionalidade:

Em um mundo de fluxos acelerados, esta reflexão nasce do silêncio e da observação das marés da vida. O objetivo é investigar a dualidade entre o que se esvai e o que permanece: a mudança inevitável e a força da tradição. Através da figura do legado e do simbolismo das águas, a obra convida o leitor a reconhecer o tempo não apenas como um agente de perdas, mas como o artesão de nossa identidade e o guardião das nossas memórias mais sensíveis.

Fotos Contemplativas: